As melhores viagens são as de comboio. É verdade que tenho andado mais cansada, mas gosto do que faço. As viagens para lá e para cá dão-me imenso jeito para pensar, penso em tudo (ou quase). O melhor é que ninguém me prende cada pensamento, a não ser eu própria. Ninguém imagina sequer o que penso e é quando me sinto mais livre. Diria que se aproxima um tempo difícil, os meus anos. Não é isso que estão a pensar, ao contrário de muita gente, eu não me importo de ficar mais velha, pelo menos por enquanto. Não tenho propriamente uma boa recordação do ano passado. Tenho alguns flashs do que se passou e às vezes parece tudo tão nítido, mas depois apago a mim mesma memórias tristes. Não tenho bem a certeza se chovia ou estava apenas nublado. Apenas me lembro de estar dentro de um carro, a ver alguém chorar, a berrar comigo e eu sem saber mais o que dizer. Estava numa situação complicada, quando se conduz não se deve ter qualquer tipo de conversa que nos distraia da estrada. Lembro-me de sentir lágrimas a cair por aquilo estar a acontecer no meu dia. Lembro-me de muito mais que não me quero lembrar. Não quero novamente um dia assim. Angustia-me.
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