« Mais um ano voltei para o lugar mais mágico do mundo, o lugar mais belo para se estar e sonhar. Encontrei-te, mais um ano passou e estavas igual, atraente, bem constituído e com um olhar que deixa qualquer mulher derretida. Ambos sorrimos, cúmplices, já não indiferentes como fizemos parecer em anos anteriores. Tinha existido um sentimento maior no ano passado e isso reflectia-se no olhar que transmitimos mutuamente. No entanto, as coisas nunca são como sempre podem ser. Típico teu, mandaste-me uma mensagem para sairmos. Fiquei reticente. Não sei se o podia fazer ou se era ou não certo fazê-lo. Depois de muitas voltas no meu pensamento decidi que tinha que estar contigo, não tinha mal nenhum e não iria fazer nada que me prejudicasse.
Nessa noite saímos, mas tu não me levaste para onde tinhamos combinado inicialmente, levaste-me para um sitio bastante mais longe, para um terreno escuro sem luz, apenas as luzes dos faróis do teu carro sobressaiam. Estivemos a falar durante algum tempo, até que...
- Não comeces! - digo-lhe, afastando-o.
- Porquê? - disse ele habituado a que me faça de dificil.
- Porque eu não posso!
Ele afasta-se, olha o horizonte escuro com pequenas luzes brilhantes pela cidade. Fico a pensar. Claro que eu não podia ceder.
- Eu tenho alguém na minha vida. Não vou mudar isso por algo que sinto apenas de momento.
Ele volta a olhar para mim, mas desta vez de uma maneira que eu nunca tinha visto, parecia realmente zangado.
- O que sentiste por mim foi apenas de momento? - disse ele com um tom de voz carregado.
- Não foi bem isso que quis dizer... Simplesmente sabes tão bem quanto eu que isto nunca nos vai levar a lado nenhum, vivemos longe um do outro, nunca vai dar...
De repente, ele aproxima-se novamente de mim, tão perto, com a mão sobe o meu queixo, para fixar o olhar dele. Como sempre tento fugir a esse jogo, mas em vão. Estávamos tão perto... Mas controlada como sou, volto à realidade e firme tento prever algum movimento traiçoeiro dele. Com um gesto que o caracterizou e me marcou o ano passado, ele pega na minha mão e leva-a ao seu coração, para que sentisse. Eu sentia de facto, sentia tudo o que nos ligava, mas muito mais nos separava e sabendo como ele é, nunca confiarei nele para manter uma relação à distância. No entanto, não era isto que mais me preocupava, era o facto de eu ter alguém na minha vida acima de tudo e todos, alguém que amo do fundo do meu coração. Tinha que acabar com esta situação, com este jogo. Era óbvio que me sentia atraída por ele, há tantos anos que isso acontece, mas como se costuma dizer 'longe da vista, longe do coração', era assim que o mantia ano após ano. Uma atracção nunca me faria perder o controlo ao ponto de desrespeitar a pessoa com quem estou e partilho a minha vida. Afasto-me dele e entro no carro.
- Leva-me, tenho que me ir embora.
Ele deita as mãos à cabeça, numa atitude de incompreensão total. Ele não queria perceber, não queria entender. Eu sonhei imenso tempo com ele, mas sempre soube que era impossível e agora muito mais. Em silêncio, entra no carro e leva-me de volta. Mantemo-nos em silêncio, sabendo que aquela seria a última vez em que nos veríamos. Mais tarde ele mudou de vida, foi-se embora e nunca mais o voltei a ver. »
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